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Metade dos shoppings planejados para 2014 foi adiada

Dos 43 empreendimentos esperados para este ano, apenas 24 devem sair do papel. Economia desaquecida desestimula negócios

Quase 20 novos empreendimentos, inicialmente previstos para 2014, ficarão para 2015 ou 2016 (Antonio Milena/VEJA)

Para o mercado de shoppings, 2014 foi um ano de inaugurações abaixo do esperado e de baixa taxa de ocupação dos empreendimentos novos. No início do ano, a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) anunciou a expectativa de abertura de 43 empreendimentos, mas diminuiu a projeção para 24. Das 43 previstas, 9 estão em funcionamento, 15 devem abrir até dezembro e 19 ficaram para 2015 ou 2016. A projeção do ano anterior era de 46, mas 38 se concretizaram – um recorde. A associação diz não haver crise no setor e afirma que adiamentos são normais.

Na cidade de São Paulo, só um shopping foi lançado oficialmente no mercado este ano: o Cantareira Norte Shopping, no bairro Parada de Taipas.

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Neste mês, o Ibope Inteligência divulgou uma pesquisa que mostra que a ocupação média dos 36 shoppings abertos em 2013 no Brasil alcançou 57% em junho deste ano. O nível é considerado baixo e evoluiu pouco na comparação com dezembro, quando estava em 50%. Para atrair inquilinos, há casos de shoppings financiando a instalação das lojas. Uma explicação pode estar no fato de que boa parte desses projetos foi lançada em período de maior crescimento econômico, mas tiveram a construção concluída recentemente. Hoje, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é de 0,3%, segundo o FMI, e o cenário é de recessão técnica, após a atividade registrar dois resultados negativos consecutivos. Outra razão está nas regiões que receberam mais shoppings do que poderiam comportar.

Michel Cutait, especialista em shopping center, defende que os estabelecimentos não precisam ser inaugurados com mais de 90% de ocupação. As lojas, segundo ele, vêm aos poucos. “Além disso, o fato de a economia andar de lado não tira das pessoas a vontade de consumir – é só ver as grandes filas que se formaram após a inauguração da Forever 21, em São Paulo.”

(Com Estadão Conteúdo)